A Europa e a paz

Eu bem dizia que fazer futurismo não é recomendável mas, mesmo com todos os indicadores a meu favor, os ingleses, mais uma vez, bem me dizia a Anne Taylor,  supreenderam o mundo e num volte face inesperado disseram “OUT”.

Mas e de hoje a um ano? Que Europa vamos ter?

Vivemos a paz durante 70 anos e foi esse o tempo da construção da europeia. Onde antes sempre houve guerra, com a paz duradoura, passou a existir o progresso e desenvolvimento. A Europa das rivalidades tornou-se a da união.

Por isto, independentemente das razões dos ingleses  o Brexit é um sinal de retrocesso civilizacional, como antes foi a queda de Roma e a chegada da idade média. A civilização transformada pelo ódio transformou-se em trevas que duraram quase mil anos.

Mais uma vez tudo aconteceu da mesma maneira. O enfraquecimento e o desaparecimento dos estadistas deu lugar a uma elite tecnocrata e muitas vezes corrupta. Uma classe em que o povo deixou de se rever. Foi assim também agora, quando um bem estratégico – a paz –  foi alienado por um pormenor de natureza tática  – uma vitória eleitoral. Cameron convocou o referendo para se manter no poder e depois oscilou. Apoiou primeiro a saída, e depois, fez campanha pela manutenção. Quando o povo se sente instrumentalizado reage assim. Com nojo e repugnância, às vezes contra si próprio, preferindo o caos à corrupção.

Daqui a um ano? Precisamos que a sorte nos defenda, nos ajude a compreender porque é que muitos políticos vêm agora terreiro, com um discurso inflamado, às vezes nacionalista, reclamar o seu quinhão tático, prejudicando o bem comum em nome as suas  suas pequenas vitórias.

Mas há uma esperança, que a globalização, capaz de por todos os homens em contacto, impeça os cidadãos de outras nações, de se deixarem instrumentalizar no caminho da guerra que, cada vez mais, parece inevitável.