Aeroporto em Coimbra. Claro que sim!


É muito surpreendente a polémica à volta do projeto da Câmara Municipal de Coimbra de transformar o aeródromo de Cernache num Aeroporto em Coimbra. Um aeroporto comercial civil, aberto a voos internacionais.

As pessoas esquecem que essa transformação está estudada e que é tecnicamente viável com custos muito contidos, conforme os estudos encomendados pela Câmara nos anos 90 e em 2005. E esquecem também que, apesar da relativa proximidade dos aeroportos de Lisboa e Porto, a capacidade aeroportuária de Portugal está próxima do esgotamento e que Coimbra – com uma grande universidade, património classificado pela UNESCO e empresas tecnológicas muito competitivas – tem um potencial para atrair tráfego que mais nenhuma cidade do país oferece.

Vamos por partes.

Afirma-se na campanha eleitoral de Coimbra que os aviões comerciais de médio porte só podem aterrar em pistas com mais de 2500 metros. Não é verdade: no aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por exemplo, a pista maior tem 1323 metros e isso não impede o aeroporto de movimentar 9 milhões de passageiros por ano. A partir dos 1500 metros, os aviões a jacto típicos dos voos “charter” e das companhias “low cost” – os Boeing 737 e os Airbus 319 – aterram e descolam sem problemas. E com 1800 metros trabalham em condições ótimas, qualquer piloto de linha aérea pode explicar isso.

Aeroporto em Coimbra

O aeródromo de Cernache pode crescer num dos seus topos com recurso a “terra armada” – um aterro mais complexo – e, no topo contrário, no terreno ocupado com linhas de alta tensão que podem ser enterradas. Não é preciso recorrer a estacaria, conforme indicam os estudos encomendados pela Câmara.

Por isso, prolongar a a pista até aos 1500 metros e alarga-la para os 45 metros não tem custos relevantes. E aumentá-la até aos 1800 metros fará subir os custos até aos 10-12 milhões de euros, incluindo já novas instalações e depósitos de combustível. Com financiamento de verbas europeias, estamos a falar em custos para a Câmara à volta dos 2 milhões de euros. É muito barato para todo o potencial que uma infraestrutura destas oferece a Coimbra.

Aeroporto em Coimbra, 2 cidade da Irlanda. Tem 120 mil habitantes. Coimbra 150 mil.

Aeroporto de Cork, 2 cidade da Irlanda. Cork tem 120 mil habitantes. Coimbra 150 mil.

Acresce que, ao contrário de outros aeroportos de que se fala, em Coimbra as acessibilidades, quer ao centro da cidade, quer à rede de autoestradas, já estão feitas – não irão pesar na fatura final. Um aeroporto em Coimbra trata-se, portanto, de um investimento completamente compatível com a escala do mercado que Coimbra e a Região Centro oferecem.

Essa escala é interessante por diversas razões. Desde logo pelo congestionamento dos aeroportos de Lisboa e do Porto, que cobram hoje das mais altas taxas aeroportuárias da Europa. Há muita margem de mercado para voos “charter” e “low cost” porque Coimbra é uma cidade muito interessante para começar uma visita a Portugal, porque está próxima de Fátima e porque está a quase meio caminho de Porto e de Lisboa, com autoestradas e comboios diretos para ambas as cidades.

Há também um crescimento contínuo e sustentado de congressos a fazer crescer a procura da cidade nos últimos anos, cada vez mais estudantes e investigadores estrangeiros que passam por Coimbra e uma capacidade hoteleira que possuiu hoje uma capacidade para acolher visitas mais prolongadas de que, até há poucos anos, não dispunha.