Raúl Brandão

«Começo a andar inquieto. Não pude dormir toda a noite, desejei com sofreguidão outra luz – a luz que me criou. Nem na Madeira a luz me satisfaz. Cansa-me. Todas as manhãs espio o céu nublado à espera que a luz irrompa. Embarco. A noite de 29 de Agosto passo-a no tombadilho, sempre à espera, numa sofreguidão de luz […].Mas de manhã a borrasca aplaca-se dentro da bacia de Cascais ? e irrompe uma luz alegre, uma luz que vibra toda, uma luz em que cada átomo tem asas, vem direito a mim como uma flecha de oiro. No céu imenso, azul e livre, o sol bóia num grande fluido»

Raul Brandão