O Bruno de Carvalho da América

Hoje, o título era para ser “Trump, o Louco”, mas ontem, no Expresso, o Miguel Sousa Tavares “roubou-mo”. Assim sendo, socorro-me de uma comparação que, se virmos bem, não é assim tão disparatada. Os dois sujeitos são mesmo bastante parecidos.

Quando o homem mais poderoso do mundo, é também a maior ameaça à segurança do planeta, os santos tremem no céu e os homens benzem-se na terra. Donald Trump não pode continuar a ser o presidente da América. Os eventos recentes provam que ele não serve para o cargo. Enganei-me quando disse que ele podia ser melhor que Obama para a Europa. Podia se fosse um tipo normal. Mas, repito, enganei-me. O Homem é louco.

Esta semana a sua primeira viagem internacional começou na Arábia Saudita, um país que não respeita as mulheres, que não tem orçamento de estado, onde a democracia não existe e que é o maior aliado, quem sabe mesmo o inventor, do terrorismo à escala global. Trump vendeu-lhes armas no valor 110 mil milhões de dólares, o que deixa contente o lóbi do armamento, que o apoiou na sua eleição, mas preocupa todos os países do mundo. Armar a Arábia Saudita, diabolizando o Irão, é como apagar um fogo com gasolina.

Trump parece o presidente do meu Sporting a prometer campeonatos.

Depois, em Israel, enredou-se numa série de declarações de circunstância, tão parvas quanto vazias, prometendo a paz definitiva, duradoura e universal no Médio Oriente. Parecia o presidente em exercício do meu Sporting a prometer campeonatos.

Como se tudo isto fosse pouco, o homem ainda provocou uma crise com os serviços secretos de Inglaterra. Apareceram escarrapachadas no New York Times, informações secretas sobre os ataques de Manchester, que o MI5 forneceu à CIA. Os ingleses furiosos com a divulgação de imagens da bomba usada no ataque, anunciaram publicamente que deixam de partilhar informações com as autoridades americanas. Musica para os ouvidos dos terroristas. E ainda foi ao vaticano tirar fotos com e Papa, e as suas mulheres vestidas de viúvas.

Ai. Termino com um apelo. Senhores Republicanos da América, por favor tirem o Trump da Casa Branca, que ainda nos f***mos todos. Eu sofro muito com a falta de campeonatos do meu Sporting, mas – à dimensão – o Sr. Trump ainda é pior que o Bruno de Carvalho. Mas tem reforços muito maiores, e nucleares.