Conan Osiris. O bárbaro do futuro

Conan é um rapaz do futuro com nome de bárbaro europeu e Osiris um deus egípcio com vida depois da morte. Mas “Conan Osiris” é uma “história” diferente. É um ícone livre de um estilo novo com todas as condições para ascender à imortalidade dos Deuses.

Conan Osiris é uma daquelas formas em potência que quase dispensam o ato. Todo humor e espalhafato, graça e provocação, ultraje e poesia. Ainda nem nasceu e já parte a loiça toda. Sem margem para enganos, este bárbaro do Nilo vai ficar para a história da cultura universal porque tem uma alma maior que o esquecimento.

Mas Conan não nasceu bárbaro nem egípcio e antes de ser o rapaz do futuro era apenas o Tiago Miranda, mente criativa e solitária que para sobreviver fora de casa foi vender “dildos” para uma sex shop do bairro lisboeta de Arroios.

Pertence aos grupos mais cool da internet como o germesgang e stolenbooks e faz parte de uma certa elite cultural de Lisboa. Com um estilo único e extravagante veste-se aos cuidados do estilista Luís Carvalho. Nada fica ao acaso.

Embora muitos digam que as músicas que faz são devaneios, a qualidade está lá. Na melodia e nas letras tão simples quanto desconcertantes. Como todas as coisas extraordinárias, primeiro estranha-se depois entranha-se e, apesar de eu ter estudado musica clássica, ou provavelmente por causa disso, penso que este rapaz dos Olivais vive muito à frente do seu tempo. Talvez no ano 2100.

Num tempo do Pop bonitinho e indiferenciado, em que todos vivem de receitas “copy paste” e de letras e ritmos fáceis, Conan Osíris inova e cria um estilo “avant garde”.

De todos os concorrentes da Eurovisão, foi o único que conseguiu misturar o antigo com o novo criando algo nunca visto, nem ouvido. Conan acrescenta a cada música a conquista de uma criação original.

Produz batidas que misturam novas e velhas estéticas e introduz nas letras o comportamento da “geração x” e dos “millenials”. Não admira que os velhos lhe chamem parvo.

Se arte, para ser considerada arte, tem que criar sentimentos novos em quem a vê, então Conan é sem duvida “o” artista da Eurovisão.

É bárbaro o rapaz do futuro.

Originalmente publicado no JORNAL DE NOTÍCIAS