Um “Estado Novo” Velho Demais

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| Ainda a propósito do 25 de Abril – Como um país com elites moribundas é pior que um país sem elite nenhuma. Por isso é que uma democracia, qualquer democracia, é sempre preferível. |

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[dropcap] P [/dropcap]ortugal era um país moribundo há quarenta anos atrás. Isolado cultural e politicamente. A moeda não tinha convertibilidade, ninguém trocava dólares por escudos; a guerra colonial uma aberração intemporal apenas possível porque não ameaçava realmente aos negócios de ninguém e até podia servir de válvula de escape à guerra fria.

Em 1974 eram já muito velhos os homens do estado novo, e mais velhos ainda os conceitos o marketing e as narrativas, como agora se costuma dizer.

Os homens cultos do Estado Novo saíram de cena muitos anos antes e Abril. Cotinelli Telmo – o arquitecto da cidade universitária de Coimbra e o realizador do filme ‘Canção de Lisboa’. Duarte Pacheco, que projectou o aeroporto de Lisboa, o Estádio Nacional e o troço da auto estrada entre Lisboa e Vila franca de Xira, ainda hoje funcionais, morreram ainda na década de 40.

António Ferro, ministro da propaganda, mentor do ‘Mundo Português’ e inventor da maior parte das lendas na nossa história – da corda do Egas à porta do Martim, do milagre equestre de Fuas Roupinho às sete saias das nazarenas – morreu, ainda a década de 50 não ia a meio. Sobrou a censura que era quase sempre cómoda como uma carraça antiga num país habituado a pobrezas tristes e fatalistas.

Durante quase trinta anos foram poucos os homens com mundo fizeram parte do velho Estado Novo. Muitos anos de orfandade. Um país com elites moribundas é pior que um país sem elite. Por isso é que, mesmo com esta gente, a nossa democracia, é completamente preferível.

Publicado originalmente no Diário de Coimbra

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