Eu? Do-nan-za!

O mercado de trabalho mudou para sempre. Viver na Índia ou em Portugal é exatamente a mesma coisa se houver internet e falares inglês.

Encontrei o Paulo à porta da festa de Natal da minha filha. Já não o via há mais de um ano desde quando Dias Ferreira apresentou a candidatura a presidente do Sporting em Coimbra e ele me assistiu nas coordenadas cénicas do evento.

Convivi com ele sempre por assuntos de espétaculo. Desde os tempos da Associação Académica, nos anos 90; ele, no Centro de Estudos Fotográficos sofria com as tiranias do Albano enquanto eu, na Rádio Universidade, sofria com as democracias de todos os sócios.

O Paulo é uma espécie de trendy descuidado que alterna brilho com diletância visando um único objetivo: viver o melhor possível com o menor esforço. Confesso que quanto mais o tempo passa mais me agrada essa ideia.

Foi a propósito de um rendez vouz natalício, à porta do Teatro Gil Vicente em Coimbra, outrora palco de muitas noites de boémia e agora transformado em altar da responsabilidade parental que a conversa apareceu.

Como é que vais? O pá! O governo isto e aquilo! Enganam a malta. Incompetentes mentirosos, e os impostos e as dívidas e o camandro e vai daí, atiro com um cliché dos tempos da troika: vamos acabar todos a emigrar! Surpresa. O Paulo, no desengonço feliz de sempre, responde. Não é preciso! Eu emigrei cá dentro. Neste pais só não trabalha quem não quer.

Eh pá explica-te lá melhor. Isto não batia certo. Adianta-se. Portugal tem uma estrutura física de internet do melhor que há no mundo e os empregos estão em toda a parte. Com a vantagem de levarmos horas de vantagem em fuso horário.

Mais state of the art do que eu podia suspeitar o Paulo foi dos primeiros portugueses a perceber a mudanças no paradigma: www.donanza.com.

O mercado de trabalho não é mais geográfico, nem sequer físico e a qualidade dos portugueses pode levá-los a realizar trabalhos em todo o mundo sem chegar a sair de casa. O mercado global prefere inteligência a bilhetes de avião. E sempre se pode comer filhós no Natal.

O mercado de trabalho não é mais geográfico, nem sequer físico e a qualidade dos portugueses pode levá-los a realizar trabalhos em todo o mundo sem chegar a sair de casa. O mercado global prefere inteligência a bilhetes de avião. E sempre se pode comer filhós no Natal.