Exôdo

O Papa Bento XVI defendeu o “direito a não emigrar” como um direito fundamental e convida os governantes de todo o mundo a fazerem “todos os possíveis para que as populações se mantenham nos seus países. “Mais importante ainda que o direito a emigrar, é preciso reafirmar o direito a não emigrar, isto é, criando condições para que cada um possa permanecer na sua terra”, afirmou o líder da igreja católica Romana. Em Portugal, um estudo divulgado em agosto passado no Jornal de Notícias, intitulado «Mobilidade Profissional e Internacionalização do Emprego Jovem» revela que 69% dos estudantes do ensino superior querem abandonar o país no final do curso. Sete em cada dez dos jovens universitários portugueses quer sair do país. Enquanto os jovens têm a perceção que não vão conseguir um emprego compatível com as suas qualificações principalmente porque os salários oferecidos ficam muito aquém das suas expetativas de uma vida digna, as “elites” do país, debatem a inevitável dívida presente até à exaustão, mas não olham de frente o verdadeiro problema que é o futuro. A única diferença entre esta onda de emigração e todas as outras anteriores – que nos levaram a ser o povo da mala de cartão – é a elevada escolaridade dos nossos emigrantes. Portugal pela primeira vez na sua história exporta cérebros em vez de força bruta. Porque pela primeira vez teve uma classe média capaz de aceder ao ensino superior e adquirir competências profissionais ao nível dos povos mais avançados do mundo. Ninguém paga dívidas se não gerar riqueza. Portugal é pequeno, periférico e não tem recursos naturais. A nossa única riqueza são as pessoas. Se as deixarmos sair sem compromisso, atirando pela janela um dos poucos investimentos consequentes que fizemos nestes anos loucos da Europa dos milhões, voltaremos a ser, em menos de uma década, aquele povo pobre, rural e orgulhosamente só. Por isso o direito a permanecer deveria ser consagrado. E não apenas, como diz o Papa, como um direito humanista, mas sobretudo por razões lógicas. As palavras de Bento XVI trazem a resposta.
Alguém está a ouvir?