Falar contigo era melhor

Há coisas que acontecem só para que se cumpram profecias.

Hoje na terra dele, Coimbra essa, um grupo de aventadores ponto eu (que bonito escrito assim) juntaram-se para uma homenagem. 

– À tua memória parvalhão. (Não consigo compreender porque é que o poder de convocatória aumenta com a morte. Isso é um mistério insondável para mim.)

Nunca tinha estado lá (cá). No aventar quase só naveguei contigo e agora aparece-me mais. Agora que já não estás (será que é por isso?) não há tempo a perder.

Neófito e caloiro. Nas lógicas iniciáticas os que chegam depois ficam sempre à mercê dos circunstantes. Coisas de chegar tarde? O almoço (encontro) foi bonito. Foi não foi? “Para os camaradas e para os outros” repetia uma voz que amava repetir-se sem saber. E era bela.

Já quase no fim eles chegaram e tiraram-nos fotografias. Como se tivéssemos estado sempre juntos. 

– João, foi um belo dia de novembro este. Podias cá ter estado. Não tinhas perdido nada. 

Aí do outro lado como é? Estamos todos curiosos para saber como “te las arreglas sin nosotros”? Mas deve ser uma grande folia à mesma.

Sabes?… falar de ti tem sido bom. Mas falar contigo era melhor. 

Publicado no Aventar a 7 de novembro de 2015