Falta-me o beijo da mulher a dias

Se me lembro bem foi na primavera de 1992. Tinha feito uma direta daquelas por “amor à camisola” a preparar a nova grelha da RUC e estávamos – eu, o  João Pedro Figueiredo, o Rui Portulez e acho que o André  Soares – com o frenesi da criação.

Em coimbra os indigentes são mais capazes, as noivas mais pontuais, as bebedeiras mais baratas

Sentei-me. Arregacei a alma e vomitei as palavras como na ressaca dum insulto daqueles que só se gritam por paixão.

Em coimbra as árvores são mais violentas, os pássaros mais verdes, os ratos mais duvidosos.

Coimbra nunca tinha sido tão minha (e nunca mais foi tanto) amei-a entre as linhas, possui-a matraqueando as teclas de um Macintosh na sala da DG. Não havia mais nada entre eu aquele texto quase apócrifo que pensava condenado à solidão infinita duma parede do meu escritório.

Em coimbra os jornalistas são mais magros, os escândalos mais nobres, os espadachins mais baixos.

Até que do meio do nada o puto Alvim me falou dele como uma coisa que tinha viajado muito. Comoveu-se-me a pena e revisitei num instante aquelas salas/noite onde pudémos tantas vezes ser quase tudo.

Em Coimbra, o norte é mais perto, a arte mais lenta , o sexo mais forte.

foto e texto de jose manuel diogo