Lampiões tristes e sós

Há coisas que só acontecem tarde de mais. Passando ontem pelo largo do Calhariz, ou melhor, o alargamento do Calhariz, antes de um almoço aburguesado num restaurante italiano, olho para o céu.

Olho e contenta-me ver. Um Lampião, estava triste e só, entre mim e o infinito. Olho melhor e defino o quadrado desta narrativa. Uma secção do meu olhar contendo um “Lampião triste” e uns fios elétricos, metade úteis e outros tantos apenas desejo elétrico. Naquele carril celeste compreendo finalmente uma coisa que todos sabem mas que nunca me tinha ocorrido. A música do Rui Veloso “Lampiões t(e)ristes e sós” é afinal, apenas uma metáfora para os estados de alma que se encontram às vezes – como hoje – lá  para os lados da luz.