Liberdade ou Segurança

O terror não é um produto de entretenimento. Não é uma novela para o prime time. Não é sequer para encher “chouriços” nas TV’s. É uma merda que nos atormenta. Um nojo que nos faz ter medo. Um ataque ao nosso modo de vida.

Quando alguém disse que valia a pena suspender a democracia por seis meses e muitos de nós sorrimos comentando que não seria um disparate assim tão grande, talvez pudéssemos pensar agora em pedir aos diretores dos meios de comunicação social que suspendam o terrorismo das notícias, porque agora o assunto é muito mais importante.

O auto proclamado Estado Islâmico tem nas notícias da comunicação social do Ocidente a sua principal ferramenta seu principal aliado. Os tuítes e as páginas de facebook só são relevantes porque a televisão fala neles.

Foram os jornais que lhe inventaram o nome e são eles que espalham por todo o mundo a sua causa. O Isis, ou Daesh – o nome porque devem ser chamados – não passa de um grupo terrorista com uma narrativa fácil – a do Califado – à qual se soma uma gigantesca cobertura mediática.

O ISIS não é mais que um conjunto organizado de marqueteiros do terror aproveitando as oportunidades a hipocrisia interesseira da geopolítica administração Obama lhes permitiu no Médio Oriente.

O novo problema é que foi também através dos média que se criaram os milhares de jovens ocidentais, prontos a aderir a uma causa, que se torna mais forte quando, nas suas terras – sejam elas nos subúrbios industriais de França, na capital da Bélgica ou numa vila do interior de Portugal – não existe nenhuma.

Mas sempre que os terroristas atacam os valores humanistas da nossa sociedade em direto na TV, perdemos ainda mais. A Liberdade de Imprensa é sagrada. Mas que fazer quando algo de mais sagrado fica em perigo?

É este o eterno binómio da democracia e que vai estar no centro de todas as discussões na próxima década: Liberdade ou segurança.

 

Publicado no Diário de Coimbra em 25 de Novembro 2013