Magnífico Mês de Maio

Maio é um mês fantástico. Tem a alegria criadora primavera e a Queima das Fitas. É de Maria e das finais europeias de futebol. Tem exames, dias compridos, algum calor e a promessa do verão. Maio tem tudo.

Foi em Maio que nasceu o meu primeiro filho e a vida nunca mais foi a mesma. Foi há 14 anos que veio esse Maio e nos trouxe, a mim e à mãe, o Diogo. Foi no dia 14 de Maio do ano 2000 que passei, sem treino preparação ou estágio, subitamente da condição de filho à de pai.

No mesmo dia o Sporting foi Campeão Nacional de futebol, uma coisa que então não acontecia há 18 anos e fazia com que um café, em Coimbra, na rua do Brasil, vendesse a bica a 25 escudos desde 1982. O Sport Comércio e Salgueiros ainda existia e foi precisamente a Paranhos que o meu irmão, depois de calçar umas botinhas de lã às riscas verdes ao sobrinho, foi ver o Sporting levantar as faixas de campeão, 18 anos depois.

Foi um dia tão extraordinário e intenso que os astros, até hoje, nunca mais se alinharam da mesma maneira. Apenas mais uma vez estas coisas se repetiram, mas mesmo assim, em separado. Os sucessos do (meu) clube de Alvalade, dois anos depois, também em Maio, quando a voar com o Jardel e a sonhar com o João Pinto o futebol era a alegria nossa de cada dia; já os sucessos da minha fertilidade, um ano depois, quando em Julho de 2003 nasceu a minha querida Carolina, a outra luz da minha vida.

Passaram 14 anos. Estou mais velho, mas ainda não uso óculos e normalmente não me dói nada. Ainda pego nos dois ao colo ao mesmo tempo. Às vezes ainda vão dormir na minha cama.

Naquela altura ainda não havia euros, só escudos – o tal café custaria 12 cêntimos, (mesmo hoje, em plena crise, ninguém dá isso a um arrumador sem medo de ser insultado) – e Portugal com o resto da Europa, estava em plena fúria consumista que muitos de nós confundimos, durante tempo de mais, com crescimento económico.

Nessa altura eu dizia que havia de me reformar aos 40 como qualquer “yupi” provinciano. Hoje, apenas desejo continuar a ter saúde para poder trabalhar até aos 70 sem dores nas costas e pagar o IVA a horas como hoje. Quem diria?!
A única coisa que nunca muda é o amor