A maior caça ao homem da história

As fichas com a identidade de 22 mil terroristas foram tornadas publicas pela estação de TV SKY NEWS. Está em curso a maior caça ao homem da história.

Hoje a televisão britânica Sky News anunciou que um desertor do Estado Islâmico (EI) lhe entregou uma lista detalhada com nomes, endereços, números de telefone e contactos familiares de 22 mil membros do grupo terrorista. Esta é uma narrativa que, independentemente de ser verdadeira ou não – isso não é relevante – cumpre o maior objetivo. Destruir o EI.
Esta “fuga” de informação tem uma dimensão e um valor incalculáveis. A única ocasião onde algo de semelhante aconteceu (em 2007, quando foi revelado o “Relatório Sinjar” revelava apenas 700 nomes da al qaeda; a identificação de 22 mil pode um golpe fatal para o EI.

A forma como o ficheiro foi obtido é digna de um filme de Hollywood: milhares de documentos são roubados por Abu Hamed, um antigo combatente do Exército livre da Síria convertido ao EI, que, desiludido com a ação do grupo terrorista, decide entrega-los ao jornalista da Sky News, Stuart Ramsey.
Nesse encontro, Hamed afirma que EI, o YPG (braço armado dos curdos da Síria) e o presidente sírio Bashar AL Assad estão coligados contra a oposição moderada Síria o que, a ser verdade, também confirma Assad como um aliado do Estado Islâmico.
A é metáfora perfeita. O mal secreto é entregue à liberdade de imprensa. Mas não nos iludamos, os filmes apresentados pela Sky, as entrevistas ao desertor e a forma como a história é contada, tem todos os condimentos próprios de uma operação secreta longamente preparada.
Neste momento está em curso a maior operação de caça ao homem da história moderna. O comportamento dos 22 mil terroristas e suas famílias, mapeados pelos serviços de inteligência internacionais (Portugal incluído) antes da divulgação da história, está a ser seguido em tempo real à medida que a divulgação da história se torna global.
Em breve os serviços secretos de Londres, Ankara, Paris, Washington e Telavive irão anunciar publicamente um dos maiores sucessos da história da luta contra o terror e das suas próprias organizações. Ao mesmo tempo que mostram a sua competência tranquilizam a opinião pública.
A comunicação social tantas vezes usada pelo EI para espalhar o terror no ocidente será ironicamente a arma usada para o destruir.

 

Publicado originalmente na imprensa