Manifesto anti Moura

Neto de Moura


Bem podemos querer ser modernos e cheios de estrelas pop a viver em Lisboa.

Bem podemos albergar “Web Summits” à beira Tejo e a trazer os melhores engenheiros do mundo para viver no Beato.

Bem podemos ganhar o campeonato da Europa de futebol com um golo do Éder no último minuto.

Bem podemos ser os campeões do melhor destino turístico de sempre e aquele país à beira mar plantado que é a ultima coca-cola do deserto. Com rodela de limão.

Bem podemos cantar de galo a lusitana estirpe e querer inundar de luz os mares do futuro para fazer de novo as descobertas.

Bem podemos ser aquela gesta destinada à história e os heróis do mar e o nobre povo e o quinto império a chegar outra vez de Americano ao passeio público.

Bem podemos ser barões assinalados e reclamar as virtudes do progresso em todas as vias verdes de “start ups”.

Bem podemos ser o Leão da estrela e o pátio das cantigas e o Eusébio e a Amália e o Benfica das vitórias europeias.

Bem podemos ser o centro Champalimaud e a Sonae e o Pingo Doce e a joaninha polaca a exportar modelos de sucesso.

Bem podemos ser um cantinho seguro à beira mar onde nada de mau acontece e tudo se passa sempre como habitualmente.

Bem podemos ser todos o melhor pano em que nunca cai a nódoa. O arquétipo de todas as perfeições.

Bem podemos ser o país das igualdades, do casamento gay, da melhor lei, de todas as liberdades.

Bem podemos ser tudo o que quisermos, mas, enquanto um de nós for aquele juiz do Porto, somos um coio d’indignos indigentes, uma corja de impostores incapazes de parir, mesmo abaixo de zero!

Mas o pior de tudo é que nos toca a todos. À parte pelo todo e ao todo pela parte.

Quando os correspondentes internacionais derem conta da coisa, havemos de cair nas bocas do mundo e nas páginas dos jornais como aquele país onde há juízes que não fazem ideia do que é a civilização.

Esse juiz do Porto a quem alguma poeira cómica dotou de poderes, não os merece como não os pode mesmo ter.
Que não se sacuda a água do capote. Que bom seria que neste tempo de descrédito os pares do senhor juiz aproveitassem o ensejo para se fazerem melhores aos olhos do povo.

Até porque para se ser parvo tanto faz ser Neto de Moura como filho de cristã.