O milhões do futebol português

Os milhões do Futebol

 

Terminou o mercado das transferências no futebol. E, como as pombinhas da Cat’rina é vê-los voar. Lá vai um, lá vão dois, três craques a voar. Mas sempre por bom dinheiro… são os milhões do futebol português.

Os milhões do futebol

Dois meses e 45 milhões de euros depois de Renato Sanches, João Mário deixa para trás o Sporting e segue, de armas e bagagens, a caminho de Milão, onde representará os nerazzurri do Internazionale, uma das mais prestigiadas equipas de futebol mundiais. Com apenas 18 e 23 anos, respetivamente, Renato e João Mário são, não só as transferências mais caras dos dois principais clubes da capital, Benfica e Sporting, mas também são as mais caras de sempre no que diz respeito a jogadores portugueses a “saírem” de Portugal. E tudo isto aconteceu apenas no verão!

Já lá vão os tempos em que era apenas necessário ir jogar para o estrangeiro para fazer as manchetes dos jornais, agora muitos jogadores vão e vêm como quem muda de camisa. Mas atenção, antigamente tudo muito, diferente. Antigamente, o futebol português estava muito atrasado em relação ao que acontecia na europa, principalmente devido à sua localização geográfica – mesmo na ponta do continente europeu – e, talvez por isso, não bastava apenas ser-se jogador de futebol para sair. Noutros tempo apenas os melhores dos melhores tinham essa oportunidade.

A exportação de craques portugueses começou com Paulo Futre em 1987 e na altura também foi a maior transferência do sempre futebol português. O valor soberbo de 850 mil euros, foi quanto o Atlético de Madrid pagou ao Porto para levar “El Buitre”. Depois foi o benfiquista Rui Costa em 1993 para o Fiorentina de Itália, logo seguido por Luís Figo em 94, do Sporting Clube de Portugal para o mítico Barcelona. Um trio de lendas do futebol português, cujo valor somado de cerca de 9 milhões de euros (nem um quarto do valor pago agora por João Mário) parece agora ridículo. Tempos diferentes e mais baratos.

E como é que o futebol português chegou ao valor que tem hoje? O processo foi muito simples. Rui, Futre e Figo foram pioneiros a mostrara “lá fora” o valor dos futebolistas portugueses. Se ao seu mérito juntarmos os efeitos da globalização – que trouxe mais fãs e jogadores, mais sócios e espetadores –  muito contribuíram para que a reputação de Portugal como país formador de grandes talentos. Em Portugal o futebol começava a ser uma indústria.

Anos depois foi a vez de Cristiano Ronaldo, já inserido no mundo da comunicação global, a dar outro impulso ao futebol português. Detentor dos títulos de “a maior transferência de sempre” e a três vezes Bola de Ouro – troféu que distingue o melhor jogador do mundo, deu ao gutebol nacional uma dimensão galática.

Por último, mas não menos importante, somos campões europeus. A recente e inédita vitória no EURO 2016 veio mais uma vez provar toda a qualidade e talento dos nossos jogadores. Agora já não há duvidas.

Passámos de 850 mil a 45 milhões em pouco mais de vinte anos… mesmo com a contar com inflação, que progresso!

Agora dá vontade de perguntar: e como será daqui a outros vinte anos? Será que vamos continuar a formar os melhores? Será que vamos crescer ainda mais? Poderemos mesmo deixar de ser fornecedores de talento para nos tornarmos portadores de talento? Se assim for, milhões de espectadores em todo o mundo vão querer ver o campeonato português (e pagar por isso) como agora acontece com a ligas inglesa e espanhola. E, verdade seja dita: Portugal tem todo o talento o que é preciso para que isso aconteça.