No Facebook até as empresas podem namorar

Abra a sua página de facebook. Se é um dos poucos que não tem crie uma. De outra maneira vai deixar de perceber o mundo. Já tem? Então siga-me.
A nova timeline do Facebook permite que as páginas das empresas tenham uma cronologia semelhante àquela que já existia para os perfis pessoais. As marcas podem agora anunciar eventos de vida como se fossem Carlas e Joaquins, usando os “marcos cronológicos”, ou milestones em jargão Zuckerberguiano, para destacar o que de mais importante acontece na sua atividade. Torna parecidas as pessoas com as empresas. Fazendo-as partilhar e relacionar-se num espaço novo alterando o conceito e a forma como se relacionam. Ora veja.

Quando uma alteração na tecnologia muda os conceitos de sociedade e os modelos de economia estamos na fronteira do progresso

Ainda está no face? No mesmo sítio onde eu e você colocaríamos “casei”, “estou num relacionamento”, “acabei a faculdade” ou “comecei a trabalhar na Visão” as empresas podem agora dizer: “A nossa primeira exportação para o Brasil”, “Registámos a patente do champô anti-caspa” ou “Começamos a nossa pareceria”. Como se fossem pessoas.
Imagine uma foto de um computador vintage num bercinho de bebé com a legenda – “O nosso primeiro protótipo” ou, em vez de enumerar, para que ninguém leia, as vantagens de um qualquer cartão de crédito, recorra à ligação entre um texto e uma imagem “fora da caixa” – na véspera de um fim-de-semana de calor publique uma fotografia com o título “Bens essenciais para o fim-de-semana”, na foto vêem-se toalhas, caipirinhas, chapéus de sol, biquínis, protetor solar e, lá perdido pelo meio, o tal cartão. É como se o visa, quisesse ir à praia connosco. Emoção, apelo e identificação a um mundo comum, exatamente o que os utilizadores, vulgarmente conhecidos por fãs, valorizam, gostam e partilham!
Estão todos os elementos reunidos: dinheiro, progresso, bem estar e um sonho a perseguir. Quando uma alteração na tecnologia muda os conceitos de sociedade e os modelos de economia estamos na fronteira do progresso; se estivermos (todos) ligados a essa tecnologia dá-se um salto civilizacional.
Gostar e partilhar sempre foram o espírito da vida.