O Cartaz

Olhou para cima e gostou. O cartaz era mesmo grande. Via-se de todo o lado. Da Alexandre Herculano, do Salitre, da Escola Politécnica. E no largo do Rato era omnipresente. Não havia nenhum ângulo morto para a sede do PS. Belo trabalho!
Era um dia claro, bem iluminado pelo sol já oblíquo dos primeiros dias outono. Ele olhava de frente para a grande imagem. Tinha impacto! Não havia maneira de lhe escapar. Era como se iluminasse todos os que passavam por ali. Visto de alguns sítios aquele outdoor era mesmo maior que o antigo palácio dos Marqueses da Praia.

Uma história sobre um outdoor hipotético que era ao mesmo tempo esperança e vingança. Certo e errado. Mas sobretudo, era bom.

Por cima de um fundo verde e vermelho, muito suaves, o seu rosto tranquilo era sublinhado pelo contorno dos óculos sem aros que utilizava desde sempre. Ao lado da sua figura imponente, apenas uma palavra, escrita em grandes letras, armilares, amarelas: Seguro.