O lado negro da Internet

A internet é como um iceberg. São tão lindos os 10 por cento que estão à vista como complexos e perigosos os outros 90. São feitos da mesma matéria que afundou o Titanic. Apesar disto, e de forma muito curiosa, todos nos referimos a essa massa imensa de informação submersa como: “a Nuvem”.

A internet visível, por onde “navegamos” todos os dias, e que parece não ter fim, é apenas a mais pequena parte do imenso mundo digital. A internet do Google e do Facebook, das aplicações e dos jogos, do email e dos calendários sincronizados, que nos fazem sentir poderosos empresários no centro do universo, não passam brincadeiras de crianças quando comparadas com o que se passa no mundo escondido na internet profunda. Como nas profundezas do reino mitológico do deus Hades, nesta deepweb, estão guardadas muitas das maldades do mundo.

Se grande parte da nossa vida, está de facto on-line, na “nuvem”, então para proteger a nossa informação é preciso que cada utilizador leve o crime cibernético muito mais a sério.

Ultimamente muito se tem falado e no futuro mais ainda se falará, direta e indiretamente, desta ‘nuvem’ tudo está guardado: a nossa informação, a nossa identidade, a relação com os nossos amigos, até o nosso dinheiro. Tudo está e estará para sempre na internet. Fora dos nossos computadores e discos duros e entregue à segurança de guardiães desconhecidos.

Neste quadro surge a pergunta de um milhão de euros – Como é que protegemos tudo isto? Como é que nos protegemos a nós próprios? A resposta a esta permanece por dar porque, por mais anti-vírus instalados, firewalls estabelecidas, haverá sempre maneira de iludir a segurança e chegar à nossa informação mais pessoal.

Vamos tomar como exemplo a Sony e a Microsoft, estas duas gigantes internacionais que têm como produto principal a própria tecnologia e, provavelmente, os melhores técnicos informáticos do mundo, já foram invadidas diversas vezes por hackers (pessoas que usam computadores para ter acesso não autorizado a determinada informação). Como é que nos podemos sentir seguros quando até as melhores empresas e corporações do mundo conseguem ser acedidas?

‘Buddy Bear’ e ‘Lizard Squad’ são grupos de hackers, que têm aterrorizado o mundo cibernético principalmente a comunidade dos videojogos, tendo diversas vezes ‘mandado’ abaixo os servidores da Playstation (pertencente à Sony) e da Xbox (pertencente á Microsoft), impossibilitando assim todos os jogadores em todo o mundo de jogar os seus jogos on-line. Não contentes com a façanha já se apoderaram por diversas vezes das contas de Twitter de celeridades do mundo digital.

Se grande parte da nossa vida, está de facto on-line, na ‘nuvem’, para a proteger necessitamos de levar o crime cibernético muito mais a sério.

Há casos onde algo foi já implementado: Recentemente, em Portugal, foi bloqueado o maior site de torrents (compartilhamento de ficheiros através de peer-to-peer [P2P]), Pirate Bay, um grande avanço no combate ao cibercrime (principalmente na pirataria).

No entanto o verdadeiro problema não é apenas a pirataria mas também a segurança da informação intima e privada e confiamos aos operadores tradicionais.

Em setembro do ano passado, o escândalo que envolveu diversas celebridades internacionais devido ao acesso não autorizado e publicação de fotografias e vídeos que estas tinham no iCloud (espaço providenciado pela Apple na ‘nuvem’ para armazenamento de apps, fotos, vídeos, contactos, calendários e mais) causou muita polémica à volta deste sistema e da sua política de segurança, pois havia uma maneira de “dar a volta” e entrar nas contas de iCloud através de uma espécie de porta dos fundos que permitia à empresa e, nos Estados Unidos, à polícia (FBI e não só) aceder às contas dos utilizadores de forma deliberada. A Apple acabou mesmo por mudar a sua política de segurança deixando de haver qualquer maneira de aceder à conta sem a password do utilizador protegendo assim um pouco mais a privacidade do utilizador.

Apesar de tudo isto a segurança tem de começar em casa, na utilização que fazemos da internet no nosso quotidiano. Temos de ser nós próprios a tomar as medidas necessárias fazendo todo os possíveis diminuir ao máximo os riscos de intrusão. A segurança cibernética começa na ponta dos nossos dedos.