O Regresso do “Grande Irmão”

Os novos espiões estão na sua casa. São adolescentes que começam a sua atividade percorrendo a partir do quarto da sua casa os caminhos mais obscuros da internet.

De repente a espionagem ficou no meio da polémica mundial. Em menos de um mês parece que a agenda política internacional se transformou num guião do James Bond. O público redescobre o mundo da espionagem ao mesmo tempo que fica a saber que os americanos espiam todo o mundo e na europa não há serviços secretos de qualidade.

Caro leitor tenha uma certeza: sempre que aparecer a palavra espião escrita em alguma notícia de jornal quer dizer apenas que alguma coisa correu mal. A história das agências secretas é feita com apenas de dois tipos de matérias: histórias verdadeiras sobre coisas falsas ou então ótimas mentiras sobre algo que nunca aconteceu. Os espiões vão sempre fazer os seus relatórios ao chefe, nunca aos jornais, o que se aplica também aos espiões jornalistas. É um contrasenso.

Nos dias de hoje, com o desenvolvimento – e também democratização – das tecnologias de informação, as atividades que todos conotamos com a espionagem clássica e com os espiões românticos que o cinema americano ajudou a popularizar, usando disfarces, microcâmaras, alteraram-se para sempre. Os espiões são agora muito mais tecnológicos e muito menos atléticos. Sabem programação de computadores, cálculo matemático e são sociólogos; provavelmente nem vão ao ginásio.

Os mais eficazes espiões da atualidade não são operacionais da Mossad, nem assassinos profissionais, são aqueles que através da internet sabem encontrar os caminhos para dominar o mundo. Os “hackers” (é assim que se chamam) são homens e mulheres que conseguem entrar e alterar sistemas informáticos supostamente seguros e estão agora na primeira linha do recrutamento para as atuais Agências Secretas.

Os novos espiões começam a sua atividade na mais tenra adolescência, percorrendo em sua casa, no quarto, os caminhos mais obscuros do mundo virtual. Fazem-no às escondidas dos pais e da sociedade, não seguindo nenhum código de honra ou parâmetro moral.

Sun Tzu, o sábio general Chinês que viveu cinco séculos antes de Cristo, dizia que o que possibilita ao soberano inteligente conquistar o inimigo é o poder de previsão, e que esse conhecimento só pode ser adquirido por meio de homens que estejam a par de toda movimentação do inimigo. É por isto que as democracias estão mais seguras se tiverem espiões de qualidade.