Obviamente feminista

O segredo da inovação e do sucesso da economia está nas mulheres. O problema é que poucos homens sabem disso.

As mulheres representam uma oportunidade tão grande que, num abrir e fechar de olhos poderiam transformar a sociedade. Incluindo as mulheres na economia, de imediato duplicaria a inovação, o desempenho, a produtividade e o lucro. Mas então porque o Brasil desperdiça tamanho capital?

Em todo o mundo, as organizações com mais mulheres na liderança, são as que mais inovam e atingem melhores resultados financeiros. Igualmente as comunidades, empresas e países que usam práticas inclusivas ocupam os melhores lugares na escala da competitividade global.

Isto mesmo é demonstrado num estudo elaborado pelo Credit Suisse Researh Institute, em mais 3000 empresas de 40 países durante mais de 9 anos. As empresas que têm mais mulheres em cargos de alta direção, são as que mais valorizam e mais riqueza produzem para os seus acionistas. Não apenas por terem mais mulheres, mas porque a ação conjunta – homens e mulheres – gera valor pela complementaridade e diversidade.

Por isto a discussão do papel das mulheres na sociedade em torno de argumentos como quotas ou paridade, não é apenas coisa sem sentido, é sobretudo uma babaquice. Porque constrange as mulheres, enfraquece os homens e custa uma grana preta à economia.  Homens do Brasil, lutar pela inclusão das mulheres é obrigatório!

Isso é o que já fazem organizações como a Male Feminists e a Male Champions. Grupos de homens que rapidamente entenderam que lutar pelos direitos das mulheres é também lutar pelos seus próprios interesses.

Quando a pesquisadora Danusa Marques, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília, fala que a baixa representatividade feminina é um problema relacionado à forma como a cultura política (e empresarial) lida com a participação das mulheres, ela sabe que não são quotas nem estatísticas que vão resolver o problema; sabe que o problema principal é a perceção errônea de que o padrão de sucesso é masculino.  E enquanto recrutar uma mulher parecer um risco, os homens vão estar sempre na frente. É isso que é preciso mudar.

Mas para que os Políticos, Gerentes, Diretores e Presidentes que vivem fechados em gaiolas de vidro corporativas possam compreender isto, teriam primeiro que discutir pagamentos online com a Maria Luísa Aldim, inovação aberta com a  Andreia Madeira, cultura organizacional com a Jeniffer Medeiros, mediatech com a Mônica Monteiro, financial literacy com a Elsa Dos Santos ou bank innovation com a Natalia Dias – que já é CEO do Standard Bank no Brasil – apenas algumas mulheres que conheço, que em todo o mundo e também aqui no Brasil, estão mudando a cultura empresarial para o rumo do sucesso.

Eu obviamente já sou feminista e estou no aguardo das vossas prezadas notícias.


Publicado originalmente na Revista IstoÉ a 2 de maio de 2019