Quadras autárquicas ao gosto popular

Os partidos mais à esquerda escolheram para candidatos a Lisboa os rapazes mais bonitos de que há memória. Este ano, a campanha eleitoral vai parecer aquele anúncio da Nespresso, com o candidato a aproximar-se da eleitora, qual George Clooney, e a perguntar sorrindo: “Olá, tenho o seu voto?”. What Else…

Primeiro facto : há mais 41 mil eleitoras que eleitores no concelho de Lisboa. Segundo facto: nas últimas Autárquicas os partidos mais à esquerda – PCP e Bloco – juntos, tiveram apenas 33 mil votos. E contra factos não há argumentos.

Há quem diga que é necessário combater contra a cultura redutora da imagem, mas não é preciso ser um bruxo do marketing político para saber que uma cara bonita resulta melhor. Os muito feios que me perdoem…. mas beleza é fundamental, já dizia o poeta.

E faz muito sentido, ora veja. Neste capítulo o Partido Socialista está em grande desvantagem, Medina não faz furor nenhum junto do eleitorado feminino e resta-lhe apostar no trabalho autárquico. Até pode ser que trocar alguma calçada portuguesa por passeios mais lisos lhe valha votos femininos, afinal de contas não é fácil palmilhar Lisboa em saltos altos.

Já para o PSD o caso é muito mais grave. Na escassez de candidatos o partido da São Caetano à Lapa tem uma oportunidade única para inovar. Em vez de selecionar um dos seus militantes, coisa que manifestamente não consegue, devia promover um casting. “Procura-se candidato. Requisitos: homem nos seus 40, atlético, bem-parecido, não fumador. Altura mínima: 1.81m. Dress code: Gipsy Classic.”

A concorrência é desleal. A Ricardo Robles, a escolha do Bloco, qualquer social democrata mais distraída lhe piscava o olho. O bloquista veste-se sempre com a típica “figura de direita”: camisa azul, bem engomada, barba aparada e um olhar irresistível. O PCP não quis ficar atrás e apresenta novamente João Ferreira, para arrebatamento do público feminino. A receita é exatamente a mesma. Ferreira & Robles juntos a cativar votos. À esquerda pelos ideais, à direita pela beleza.

Não está fácil para Passos Coelho. Talvez a melhor opção seja mesmo apoiar Assunção Cristas e apostar no eleitorado masculino jovem. Ou então candidatar-se ele. Que até já fez furor entre as mulheres.

 

Publicado originalmente em Jornal de Notícias a 19 de fevereiro de 2017