Quanto tempo é preciso?

– Hello professor! – gritou Dean H. Dickers continuando a arrastar a mala pelo aeroporto. “Ainda bem que nos pode vir esperar”. A distância de casa ao aeroporto não era pequena, mas também não era todos os dias que o diretor do museu recebia a visita de um investidor. A crise tirava dinheiro a tudo e a todos e, a cultura, mesmo numa cidade como Florença, era sempre a primeira a pagar. Dickens caía do céu. E o pesadelo era falar com ele.

– Temos muito menos tempo que o que pensávamos professor,  tenho que ir a Shan antes do final da semana. Quanto tempo é que you think  que é preciso para conhecer Flô?” gritava Dean com aquele irritante sotaque amériquêno que punha diminutivos a tudo.

– Não sei – respondeu o professor David Nandet desconfortável com o espalhafato – umas quatro ou cinco…

– Horas, good!, dá para ver tudo antes de ir à Chin. Já não vai ser preciso regressar…

– … vidas. Pensou David, mas só para dentro. Aquele americano era mais olhos que barriga.

ponte-quebrada