Não me apetece escrever sobre o Ricardo Salgado

O sonho do meu filho é que este ano lhe ofereça um drone no natal. Nem Legos nem Playstations. O que ele quer é um desses pequenos aparelhos voadores embrulhado das meias na chaminé. Quer que o papá lhe ofereça um drone bebé.

Nos Estados Unidos as listas de natal enchem-se sempre de pedidos extravagantes – e este ano os drones estão à cabeça. Mas cuidado. É precisamente a cabeça que se pode perder.

No estrangeiro já são muitos os relatos de quase desgraças onde entram estes discos voadores de trazer por casa. A revista norte-americana Slate dá conta de episódios que quase provocaram alarmes de segurança nacional. 

Em Nova Jérsia um produtor de gado desfez um drone com uma chuva de balas; o cantor Kaney West confessou ter medo que um lhe possa eletrocutar a sua filha; e, no mês passado, em França, as autoridades ficaram em stress quando um destes bichos apareceu por cima de uma central nuclear.

É certo que em Portugal ainda não há drones no Toy’s ‘r us, mas mais vale irmo-nos preparando. Embora isto pareça ficção científica no ano que vem o mais certo é termos os céus lusos cheios com esta nova força aérea.

É o Pai Natal telecomandado.

PS: A razão porque não me apeteceu escrever sobre o Ricardo Salgado é porque lido mal com a ambiguidade ensaiada, com os truques de elogio a quem interroga por uma das maiores catástrofes financeira – e económica – do nosso país, com alguém que mostra, na sua treinadíssima performance, a pouca conta em que tem a inteligência das pessoas. 

Proposta de Destaque:

Ainda não há drones no Toy’s ‘r us, mas mais vale irmo-nos preparando


24 de novembro de 2014