Ronaldo foge ao Fisco?

Sei que o Ronaldo não sabe como são geridos os seus milhões, mas também sei também que tem um ego gigante, daqueles apenas equiparados aos dos semi-deuses antes da fúria do Olimpo.

Sei que é muito apetecível para qualquer um que deseje protagonismo “ter um caso” com o melhor jogador do mundo, e que isso acontece com outros jogadores de futebol, com personalidades públicas, com políticos, com mulheres, com adversários da mesma grandeza desportiva e quem sabe, até com juízes. Também sei que do protagonismo conflitante se alimentam os meios de comunicação social onde qualquer caso que atinja o astro ajuda a impulsionar audiências, a fazer correr rios de tinta e inveja.

Por isso vejo com muita reserva o que hoje o Expresso escreveu e as televisões seguiram. Ronaldo em tudo se diferencia de Messi. Estamos perante um problema de entendimento da lei, não de fuga às suas obrigações fiscais. Os gestores da fortuna de Ronaldo (ou dos seus rendimentos de preferirmos) entendem que os impostos se aplicam no lugar onde o dinheiro se ganha, e não no lugar onde ele vive.

O problema dos direitos de imagem – que deu origem à acusação das autoridades espanholas –   explica-se rapidamente. Ronaldo gravou anúncios de TV e de revistas, deu a imagem por campanhas publicitárias (a maior de todas para a Nike)  publicou twitts e posts e assinou camisolas . Fez tudo isto em Espanha onde vive, mas o produto desse trabalho é vendido no mundo inteiro. Segundo o que diz o Expresso menos de 20 %.

Sobre esse dinheiro Ronaldo pagou todos os impostos. Os que no entender dos seus gestores eram devidos. E sempre ficou disponível para fazer os acertos que as autoridades entendessem necessários.

O problema é que Ronaldo é Ronaldo e qualquer um  ficará na história por tocar a sua vida. Fazê-lo cair, para alguns pode ser um troféu irrecusável.

Ir para ao tribunal é pior que ir parar ao hospital e Ronaldo está verdadeiramente em dificuldades. Mas não podemos esquecer que por de trás daquele jogador de exceção está um homem obstinado com a sua imagem, com o seu talento e com a sua reputação.

Escrevi no final do ano passado no Jornal de Notícias que espero que todos se enganem, que os jornais estejam enganados, e que tudo seja um terrível equívoco. Não estamos preparados para que o nosso Ronaldo, Grande Oficial da Ordem de Dom Henrique, seja apenas um jogador de futebol.

É preciso esperar para ver se o  Cristiano Ronaldo que Como jogador  sempre se superou no campo, como homem  também o faça na vida.

Está-lhe no sangue ser um ganhador. E era bonito que um português voltasse outra vez a por Espanha na ordem.