Ser ou não ser de direita. Eis a questão.

proibido virar à direita

Quem acompanhou os últimos anos do CDS percebeu que o partido que costumava ir para o governo por ajudar o PSD a ter maiorias, sonhou com uma vida própria.

O resultado das eleições autárquicas em Lisboa, que foi um dos melhores de sempre do CDS, está na origem da mudança. Mas esta “vitória” sem precedentes foi também a causadora do maior erro que a direita já cometeu na história da nossa democracia.

Os mais de 20% que Assunção Cristas obteve em Lisboa, deram aos líderes do CDS a ideia — nunca sustentada pelas sondagens — que o partido podia finalmente ter um “Objetivo São Bento”.

Mas o resultado das eleições autárquicas foi enganador. Resultou não de uma consistência, mas uma sorte, de um momento único de protesto popular contra um PSD sem rumo que, à última hora, inventou uma candidata sem talento.

É esta convicção que está na origem do erro histórico.  A crença de que o CDS podia deixar de ser um partido de Direita para ser um partido de poder. Que podia ser uma “alternativa” à esquerda, sem antes provar ser uma alternativa à direita.

Se o CDS, se tivesse assumido continuar a ser de direita — e não trair o seu legado histórico — não teria tido o resultado péssimo que teve. E sobretudo não permitiria que muitos dos seus eleitores tradicionais preferissem nas legislativas votar no Chega e na Iniciativa Liberal quando não o fizeram nas Europeias.

Agora o CDS, se quiser sobreviver, vai ter que juntar por fora aquilo que não soube unir por dentro. O CDS vai ter que federar a direita. Vai ter que unir os pequenos partidos e falar com todos, inclusivamente com André Ventura, antes de voltar a ser útil ao PSD. Mas mesmo assim, será que chega?