Serviço ou desperdício

Há uma pequena aldeia que eu conheço em que se rebocam os carros mal estacionados apenas por necessidade, sem os multar, e onde as autoridades ainda pedem desculpa. Onde fica? Já lá vamos.

O serviço, prestado pela polícia local, deve-se ao facto de haver poucos lugares de estacionamento e muita vontade de receber visitantes. Assim, todos os carros que estejam a atrapalhar são enviados com muito cuidado para um lugar coberto onde não apanham nem frio nem chuva, ao mesmo tempo que todos os que cheguem de novo ao destino encontrem as ruas livres e um ambiente urbano suave equilibrado.

Uma coisa é certa, os visitantes ficam muito sensibilizados com esta prática e, automaticamente, passam a ter o nome terra como sinônimo de civilização. E vontade de voltar.

Numa época onde, por toda a Europa, se discute quais os serviços que Estado deve prestar aos cidadãos – que saúde, que educação, que justiça, que desporto – vamos passar a ter que encontrar outro, também essencial; que estacionamento.

Nos tempos que agora vivemos, todos em uníssono poderíamos acusar: é a Grécia, é na Grécia. Esses gregos! E já imaginamos ilhas com inteiras com médicos corruptos e cegos taxistas.  Mas não: é em França.

Nem sempre os ventos dominantes na opinião pública são o melhor caminho para compreender o que acontece. São as boas ideias que interessam e temos de estar sempre dispostos a encontrá-las.