Sometimes it snows in april

Never meant to cause you any trouble. Era muitas vezes um homem pequeno de saltos altos, mas quase sempre um gigante. Fazia a chuva ser púrpura e apregoava bem alto que ninguém precisava de ser rico para ganhar beijos, a não ser que as pombas chorassem.

You don’t have to be rich to be my babe. Fez muitas musicas que foram hits, sucessos universais, conhecidos por todos no mundo inteiro e com quem, todos nós, das gerações de 60, 70 e 80, dançamos e cantámos, em todas as garagens e discotecas da nossa juventude, no meio de cigarros iniciáticos e bacardi runs. Guitarra ta-na-na-na dois pontos: Kiss!

Why do we scream at each other, (…) when doves cry.  Foi com ele que percebemos o amor, essa droga nova, que havia de guiar as nossas vidas por aí fora. Sign O the Times mess with your mind, enquanto ele aspergia o prazer de todas as drogas, todas as vezes.

Sometimes I wish that life was never ending. Mas não foi por causa de nenhum desses hits que me apaixonei pela música daquele homem que alguns conheciam por Prince. Foi por outra. Disseram-me que a escreveu na dor da morte do seu irmão e eu acreditei. Era uma história difusa, pouco confirmada, mas seria sempre muito melhor que a verdade. Por isso preferi-a sempre e nunca quis saber outra. Contei-a muitas vezes.

Fui apresentado a Sometimes it snows in April pela a última faixa de um CD, mais ou menos clandestino, que encontrei em saldo numa loja de cave, em Paris, no Bulevard Sebastopol. Foi numa viagem que fiz com aquela que viria a ser a mãe dos meus filhos. Era, como hoje, 21 de abril. Quando a Isabel, há pouco, me deu a notícia da morte do Prince pelo telefone não realizei o dia nem a memória. Eu disse “foda-se”, entristeci, mas ainda não entendia o que tinha acontecido.

Só quando parei, e datas se firmaram na minha cabeça, é que percebi.  Faz hoje anos! Tenho a certeza, porque nesse dia comprámos umas letras coloridas de madeira com as iniciais dos nossos nomes dos nossos filhos para colar na porta do seu quarto. Quando nascessem, porque isto aconteceu ainda antes de terem sido concebidos. Foi um enorme gesto de amor de que guardei a memória para sempre. Era um ato fundador. 21 de abril de 1999, quarta feira.
Springtime was always my favorite time of year, a time 4 lovers holding hands in the rain. Há coisas que parecem profecias, e arrepiam.

Merda de ano este em que morre toda a gente. E ainda só vamos em abril.

Sometimes it snows in April
Sometimes I feel so bad, so bad
Sometimes I wish life was never ending,
And all good things, they say, never last