O SUPER MARIO

A alcunha de Mario Draghi ajudou-o a ser o preferido: no tempo em que trabalhou no banco de investimento Goldman Sachs, em 2002, Draghi ficou conhecido como o “Super Mario”.

Responsável pelos departamentos da Europa e dos EUA, Draghi desenvolveu uma estratégia que ajudou a expandir o banco nestes dois continentes. Também esteve presente na negociação dos principais contratos entre o Goldman Sachs e as grandes empresas europeias.

“Ele é sempre muito independente, muito calmo e tem um excelente conhecimento dos dossiês”, disse Peer Steinbrück, antigo ministro das Finanças alemão.

Marcelo e a Esquerda
Marcelo e a Esquerda

Mas para ser o “Super Mario” num dos maiores bancos de investimento do mundo não basta trabalhar muitas horas e ser especialista no sector financeiro. É preciso algo mais e Draghi tinha-o: uma agenda cheia de contactos, nomeadamente ao nível político, com Silvio Berlusconi e Romano Prodi a encabeçar a lista.

O actual governador do Banco de Itália foi ainda professor universitário e consultor de vários bancos e empresas, como a petrolífera EnI, os bancos BNL e a Sampaolo IMI. Em Fevereiro deste ano, quando o nome de Mario Draghi começou a ganhar peso para suceder a Trichet no BCE, a Itália apoiou de imediato o nome do conterrâneo. Seguiu-se França, Espanha e Portugal.

Na altura, a Alemanha, da chanceler Merkel mostrou-se relutante e alguns jornais alemães concordaram. “Mamma mia, para os italianos a inflação é um estilo de vida, como o molho de tomate em cima do esparguete”, escreveu o tablóide Bild. Draghi, que é membro do conselho do BCE, afirmou que durante a crise económica a instituição conseguiu implementar medidas excepcionais para criar liquidez porque as expectativas de inflação se mantiveram firmes.

No entanto, a credibilidade do BCE “não vai necessariamente durar para sempre”, disse, acrescentando que “a cultura da estabilidade também deve ser estendida para outros campos”, incluindo política fiscal e reforma estrutural. Wolfgang Münchau, editor associado do Financial Times, também assinalou Draghi como o melhor candidato para o cargo acima referido.
Casado e com dois filhos, Draghi, de 63 anos, vive em Roma. O “Super Mario” também gosta de estar na moda e nunca sai de casa sem estar impecavelmente vestido.

 

maio 2011, in Diário Económico