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O dia de amanhã

EVOHÉ “Alguém diz com lentidão, Lisboa sabes? eu sei…” Caminhas com a graça de princesas tão belas como a beleza, Evohé, descendo as ruas da cidade,  do lado ímpar da estrada, ao encontro do amor “É uma rapariga […]

Por toda a parte onde a terra for pobre e alta, elas aí estão, as cabras – negras, muito femininas nos seus saltos miúdos, de pedra em pedra. Gosto destas desavergonhadas desde pequeno. Tive uma que me deu meu avô, e ele próprio me ensinou a servir-me, quando tivesse fome, daqueles odres fartos, mornos, onde as mãos se demoravam vagarosas antes de a boca se aproximar para que o leite se não perdesse pelo rosto, pelo pescoço pelo peito até, o que às vezes acontecia, quem sabe se de propósito, o pensamento na vulvazinha cheirosa. Chamava-se Maltesa, foi o meu cavalo, e não sei se a minha primeira mulher. Eugénio de Andrade