Etiqueta: Europa

AO LEITOR

A tolice, o pecado, o logro, a mesquinhez Habitam nosso espírito e o corpo viciam, E adoráveis remorsos sempre nos saciam, Como o mendigo exibe a sua sordidez. Fiéis ao pecado, a contrição nos amordaça; Impomos alto preço à infâmia confessada, E alegres retornamos à lodosa estrada, Na ilusão de que o pranto as nódoas nos desfaça. Na almofada do mal é Satã Trimegisto Quem docemente nosso espírito consola, E o metal puro da vontade então se evola Por obra deste sábio que age sem ser visto. É o Diabo que nos move e até nos manuseia! Em tudo o que repugna uma jóia encontramos; Dia após dia, para o Inferno caminhamos, Sem medo algum, dentro da treva que nauseia. Assim como um voraz devasso beija e suga O seio murcho que lhe oferta uma vadia, Furtamos ao acaso uma carícia esguia Para espremê-la qual laranja que se enruga. Espesso, a fervilhar, qual um milhão de helmintos, Em nosso crânio um povo de demônios cresce, E, ao respirarmos, aos pulmões a morte desce, Rio invisível, com lamentos indistintos. Se o veneno, a paixão, o estupro, a punhalada Não bordaram ainda com desenhos finos A trama vã de nossos míseros destinos, É que nossa alma arriscou pouco ou quase nada. Em meio às hienas, às serpentes, aos chacais, Aos símios, escorpiões, abutres e panteras, Aos monstros ululantes e às viscosas feras, No lodaçal de nossos vícios imortais, Um há mais feios, mais iníquo, mais imundo! Sem grandes gestos ou sequer lançar um grito, Da Terra, por prazer, faria um só detrito E num bocejo imenso engoliria o mundo; É o Tédio! - O olhar esquivo à mínima emoção, Com patíbulos sonha, ao cachimbo agarrado. Tu conheces, leitor, o monstro delicado - Hipócrita leitor, meu igual, meu irmão!
Faca download do livro "As Flores do Mal" aqui
Read More

A Europa e a paz

Eu bem dizia que fazer futurismo não é recomendável mas, mesmo com todos os indicadores a meu favor, os ingleses, mais uma vez, bem me dizia a Anne Taylor,  supreenderam o mundo e num volte […]

Read More

SUB-30

Este texto é para os novos. Os mais velhos sabem quase tudo o que aqui se vai dizer. Mas se quiserem recordar fiquem. No fim, fala-se do que falhou.

Para quem nasceu depois de 1980  o que se vai contar aqui até pode parecer ficção, mas não é. Antes de Portugal entrar para a Europa, faz agora 30 anos, os nossos problemas eram outros, e acreditem, bem piores. O problema de Portugal não é a Europa. A Europa é a nossa sorte desaproveitada.

Só quem é mais jovem é que não se lembra como era aquele Portugal antes de entrarmos para CEE. Quem tem memória, querendo sempre esquecer, só gosta que lhe “contem como foi ” em programas de televisão lamechas e a puxar ao sentimento. De resto é melhor não falar disso. Até aos anos 80, Portugal ainda era aquele país onde era preciso “viver habitualmente”, como Salazar, o nosso “saudoso” ditador, gostava tanto de dizer.

[bctt tweet=”O problema de Portugal não é a Europa. A Europa é a nossa sorte desaproveitada.”]

Portugal era então uma espécie de terceiro mundo ocidental. Sem vias de comunicação, sem equipamento social, sem assistência médica, sem cultura e sem esperança (nem de vida). Era tão iletrado e isolado do progresso que basta deixar os factos falar para corarmos de vergonha.

Notas de 500 escudos

Como eram as notas em Portugal antes do Euro? Escudos, contos e centavos. O Escudo português foi a moeda de Portugal que, por ocasião da proclamação da República, veio substituir aquela que era designada por […]