Etiqueta: Jornal de Notícias

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O louco da colina

Ter dívidas é uma coisa séria, mas nem sempre é uma coisa má. No caso presente sem haver esta dívida ficávamos a perder. Como na vida, o bom é o mau são a mesma coisa […]

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O Busto de Napoleão

A importância de ter um Busto de Napoleão Uma ideia antiga pode associar-se com facilidade ao seu contrário. Assim como uma demonstração pode ser feita por redução ao absurdo. Reductio ad absurdum. Non sense. Never the less. […]

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A arraia-miúda

No 10 de junho Marcelo declarou amor ao seu povo. À arraia-miúda, à gente que sempre defendeu Portugal quando as elites apenas se defenderam a elas próprias. Ele sabe que há coisas que estão para acontecer.

“Quando a pátria é posta à prova, é o povo que assume sempre o papel determinante”. Assim sintetizou o Presidente da República o espírito nacional português. “O povo é melhor que as elites”, disse Marcelo às orelhas quentes de uma plateia, feita precisamente de elites, antes de distinguir, cidadãos simples e anónimos, por atos de coragem e bravura.

Pertencendo a uma elite antiga e tradicional – no tempo de Salazar o seu pai, Baltazar Rebelo de Sousa, foi deputado e governador de Moçambique – o Presidente da República, fala para o povo como se lhe pertencesse, ou melhor, querendo pertencer-lhe. Mas este aparente paradoxo não é mais que pura inteligência política, ou se quisermos, precisamente, cultura de elite. Ele sabe que não é do povo e é por isso lhe quer pertencer.

Marcelo pensa naturalmente, o que as novas elites, nascidas com a democracia e no caldo da revolução, aprenderam artificialmente. Possui um sentido de estado e de missão próprios de quem não precisa da luta política para se afirmar. Tem uma visão estratégica para o país que não enferma da cultura tática dos recém-chegados. Para ele o exercício do poder é uma coisa natural que lhe vem do berço.

No seu primeiro discurso do Dia de Portugal, o presidente não podia ser mais claro. Enumerou, um a um, os grandes momentos históricos onde a elite falhou e à pátria sobrou apenas o seu povo. “Foi o povo, a arraia-miúda, quem valeu ao Mestre de Avis, foi o povo quem não se vergou durante sessenta anos até chegar o primeiro de dezembro, foi o povo, soldados e não soldados quem também fez frente às invasões do princípio do séc. XIX” … e por aí fora até a revolução de Abril, até às dificuldades da crise.

A década de Marcelo está apenas a começar. Será a década das maiores mudanças da modernidade. Daqui a 10 anos nada será como dantes. Basta olhar para o que acontece em Espanha e França (países que curiosamente Marcelo não quis nomear como invasores no seu discurso) onde os sistemas partidários já não conseguem dar estabilidade aos seus países. Marcelo sabe que a sua presidência será mais relevante que todas as anteriores. Sabe que entre ele e o povo a distância vai ser cada vez mais curta.

Por isto Marcelo se liga ao povo. Como um rei de antigamente.

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São precisos mais jornalistas

Em menos de uma década Portugal perdeu um quinto dos seus jornalistas. Se forem poucos a contar o que acontece, o que é que vai ficar para a história?

[bctt tweet=”O jornalismo Português é um animal em perigo de extinção “]

O jornalismo livre e independente é a mais importante medida da qualidade das democracias. Para haver jornalismo livre e independente é preciso que, dentro das redações, existam tempo e conhecimento suficientes para que os jornalistas possam interpretar a realidade e dela dar boa conta aos seus leitores. Isso obriga a que os jornalistas possam pensar, questionar, investigar, escolher e triar quais são os acontecimentos mais importantes e sobre eles escrever as notícias que no seu entender melhor traduzam a realidade. Infelizmente isso agora não acontece.

As redações dos órgãos de comunicação social portugueses nunca foram tão pequenas, tão inexperientes, com tão poucas referências históricas e culturais e com tão pouco “saber” como agora. Nunca foram tão dependentes das dificuldades económicas e nunca foram tão proletarizadas. Se há uma área que devia ser protegida, por lei, dos vícios da sociedade moderna – desde os do capitalismo neoliberal, aos do neo-anarquismo esquerdalho-tecnológico – essa é o jornalismo.

Javier Martin del Barrio, o correspondente do jornal El País em Portugal escrevia: “O jornalismo Português é um animal em perigo de extinção (…) entre 2007 e 2014, o censo dos jornalistas em atividade caiu de 6839 para 5621, 17,8% menos”. E os que saem são muitas vezes os mais velhos, mais caros e com mais memória empobrecendo irremediavelmente as redações.

Para isto concorrem dois fatores: a crise económica, mas essencialmente a incapacidade da industria da comunicação social em adaptar o seu modelo de negócio às lógicas de mercado na sociedade da conectividade global.

Sem proteção na defesa da ética e da deontologia, a matriz pela qualidade tende a desaparecer. José Rebelo professor catedrático do ISCTE afirma-o com todas as letras: “É compreensível que os jovens estagiários não deem prioridade às regras éticas e deontológicas porque a sua prioridade é obter um lugar na redação, o que provoca conflitos nas redações e diminui o seu poder reivindicativo”.

Mesmo que aparentemente o público já tenha perdido o sentido crítico, é preciso ter sempre presente que, agarrar num microfone ou num gravador e reproduzir sem espírito crítico o que alguém diz, não é jornalismo.

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TVI, Banif, Prisa e Santander

TVI, Banif, PRISA e Santander ligam-se pelos acionistas. Então, uma notícia na televisão aparece como a grande culpada, e a estação até pediu desculpa. Será que há força para acreditar? Nunca, na história do jornalismo […]