Se eu aqui te canto, Portugal.

Portugal, meu Portugal.
Se eu aqui te canto é porque te amo. Se eu aqui te amarro à beleza das palavras que te escolho, é porque quero.
Meu querido Portugal, deixa-me dizer-te, ouso assim tocar-te. Deixa que a minh’alma pouse em ti.
És desafio de gigantes onde te encontre, e só és passado onde ganhaste o futuro de há-de vir.
Epopeia de heróis em que te aches, é presente de Olimpos e místicos enunciados onde eu te sinto, onde nos sinto, ó Portugal.
Desbravo a tez do teu poema, sibilo as palavras do teu mundo. Cante e fado. Rio largo de profundo. E Douro o Tejo e a alma plana, e afago o mar que a mim te chama.
Sou teu porque me dás o Tudo e eu dou fel a quem te apouca, Portugal.
Escolho o ponto mais hostil do horizonte e nele trilho o rumo, e nele esquadro o teu íntimo destino in voluntário.
Vou de viagem contigo á proa, trilho que clama pl’o futuro, alma e chama, mastro d’oiro.
E és meu capitão, oh meu capitão, que te não digo. E às palavras falta falta tudo e sobras Tu. E assim te sigo.
Só vale a pena, na travessia em que me acho, este orgulho, em que me vês.
Só imagino o meu futuro, onde o futuro é português.