Ter ou não ter

Entretidos a discorrer sobre a relevância que há em ” ter” ou “não ter” , L e B perderam-se na forma de pontuar. Que vírgulas cabiam nos espaços em branco? Que brancos era preciso preencher. Será que na gramática cabe mais simpatia, empatia, ou é apenas outra questão de tempo? Afinal é melhor ter, ou não?

 

L – É tudo portanto uma questão de posse, de “ter”

B – Não, não é…

L – E eu a achar que a propriedade era um estorvo

B – A propriedade é uma questão de “não ter”?

L – Eu adoro os espaços em branco…

B – Mas posse também é não ter. Não tens, mas queres ter, percebe? O foco está na posse, ponto e vírgula;

L – Não, obrigada. Assim?

B – Eu cá acho pouco razoável que ande a por vírgulas no meu pensamento

L – Não se esqueça, eu sou profissional a estruturar o pensamento dos outros!

B  – “Eu sou tu és então”, ora ponha lá as vírgulas nisto

L – Eu sou, tu és. Então

B – E os espaços em branco?

L – Acho que ainda assim mereço alguma apreciação sobre o desempenho!

B – Já não percebo nada da nossa conversa

L – Menos mal! Eu também já me perdi há muito

B – Só queria ser claro

L – Preenchi os espaços em branco? Respondi às perguntas que não fez?

B – Há coisas que são verdadeiros puzzles… e depois há esta empatia que tenho por si

LAUREN – Tem? Afinal sempre é importante ter alguma coisa

BOGART  – Mas, e não é essa a questão? 

A – Vou fingir que só vi isso amanhã.

Humphrey Bogart and Lauren Bacall in "To Have and Have Not," 1945 Warner Bros.
Humphrey Bogart and Lauren Bacall in “To Have and Have Not,” 1945 Warner Bros.