Tsipras: o Fidel na Europa

Tsipras é o novo herói Global. Vai desfilar nas praças europeias como se fosse um Aníbal democrata desafiando o poder de Roma.

O povo é sempre inteligente. E quando os tempos são difíceis a inteligência do povo é ainda maior. Atenas volta a desenhar a história da Europa e quando Barack Obama ligar ao primeiro ministro grego a dar-lhe os parabéns, Merkl e o resto da nomenclatura do poder nas democracias europeias pode começar a fazer as malas. A Grécia criou uma nova hora zero para a democracia. Foram eles que a inventaram, é justo que sejam eles que a podem transformar.
Os gregos ontem disseram duas coisas: primeiro que concordam com o governo de Tsipras e acham que está a fazer um bom trabalho; segundo quiseram dizer a todo o mundo que a vida deles pode acontecer fora da Europa e fora do euro e que, realmente, o problema da sua banca rota é mais da Alemanha e da França e do resto da eurozona, do que deles próprios.
Os gregos passaram por 5 anos de terrível austeridade – maior que a aquela que atingiu os portugueses – e a sua economia está pior que nunca (nós também estamos, mas preferimos não saber) e mesmo assim a Europa e o FMI, mas sobretudo a Europa, fizeram tudo o que conseguiram por no governo da Grécia “uns radicais adolescentes” não alinhados com a UE.
Foi a cegueira nacional dos credores europeus, que antes tinha acabado com os socialistas e hoje com os sociais democratas. Samaras demitiu-se hoje e da velha Grécia europeísta já nada sobra.
Quando tinha sido a Europa a empurrar a Grécia para o Syriza, hoje foi o Syriza a empurrar a Europa para o maior problema político que a Europa enfrenta depois do fim da II guerra mundial.
Pela primeira vez, as oposições e as minorias nas democracias europeias, sobretudo as do sul, têm um herói internacional.
Preparem-se as praças das grandes capitais europeias para ouvirem palavras de ordem em grego. Preparem-se os velhos partidos do “arco do poder” em Berlim, em Amsterdão, Madrid, em Roma, em Lisboa, em toda a parte  para ouvirem do alto de uma tribuna o mundo novo a chegar.  Tsipras e o Syriza vão interferir em todas campanhas eleitorais e vão criar um novo sonho aos povos europeus: a de se libertarem da tirania da dívidas. Essa verdadeira guerra da globalização.
Mas a Europa como ela era. Aquela que nos trouxe dinheiro e boa vida. Essa, infelizmente, já era.