TVI, Banif, Prisa e Santander

TVI, Banif, PRISA e Santander ligam-se pelos acionistas. Então, uma notícia na televisão aparece como a grande culpada, e a estação até pediu desculpa. Será que há força para acreditar?
Nunca, na história do jornalismo português, uma só notícia custou tanto dinheiro. Entre 2,5 e 4 mil milhões de euros.
Ainda por cima dizia coisas que que não eram verdade.

Ora preste atenção: quando usamos da palavra, coisas acontecem. Quando dizemos a alguém “amo-te”, ou “odeio-te”, provocamos em quem ouve sentimentos que não se podem desfazer. Essas pessoas sentem-se amadas ou odiadas. Depois não vale a pena vir dizer que foi sem querer. Ou que não tínhamos a certeza do que queríamos dizer. O mal está feito. Inês é morta.

Quando tudo acontece por incompetência é ainda pior. A ineptidão, quando tem origem na irresponsabilidade, é totalmente indesculpável. É muito mais penalizador sentirmo-nos enganados por um tolo que pelo dolo. A TVI não podia (devia) ter-se prestado a esse papel. Até pela responsabilidade acrescida por ser detida por uma empresa – a PRISA – que tem como acionista de referência a entidade que mais ficou a lucrar com este episódio do BANIF: o banco Santander.

Os responsáveis da estação de televisão, porque são bons jornalistas, sabem, melhor que qualquer outro, que não de pode “destocar” uma campainha depois de ter sido tocada. O som vai permanecer para sempre. Depois do mal feito as trancas já não entram na porta.

Está bem, a TVI até pediu desculpa, mas isso foi só depois de ter estado duas horas e meia a espalhar o pânico, repetindo em rodapé, até à insanidade, coisas que mais tarde confessou não ter certeza que eram verdade.
Por causa disso, apesar dos desmentidos do Banif, toda a semana, de segunda a sexta, os clientes do banco correram aos balcões e levantaram mais de mil milhões de euros em notas. Instalou-se o pânico e o governo acabado de chegar, assustou-se e seguiu a cartilha da Europa.

 

ines morta media intelligence especialista jose manuel diogo
“Inês é morta”

O resultado dificilmente podia ser outro. As ações caíam, cada vez mais vertiginosamente, à medida que os desmentidos do banco caíam num saco, cada vez mais roto. Casa roubada, alguém ficava a ganhar.
Se a TVI foi ou não instrumento conivente, ficará por averiguar em comissão de inquérito. Mas de uma coisa já não se livra. De ter sido protagonista de um dos tristes episódios do jornalismo em Portugal.