Viva Marcelo

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Marcelo é professor. E presidente. E pai. E amigo. E companheiro. E é amado. As pessoas irrompem em alegrias quando ele passa. O povo tira “selfies” com ele. E exulta. E visita-o em casa. E passeia nos Jardins. E dá-lhe vivas. Viva Marcelo! Marcelo sabe amar e sabe ser amado.

Marcelo diz que a legislatura é para ir até ao fim. Que todos têm de contribuir para o futuro no papel que lhes está reservado. O Governo governa, a oposição opõe-se colaborando construtivamente. Não vamos viver sempre em ambiente de campanha eleitoral. Não é isso que é preciso. Não é isso que ele quer.

Marcelo é um trota mundos. Está em toda a parte. A agenda dele coincide com as organizações do povo e é a proximidade ao povo que lhe confere uma superioridade, moral e prática, sobre os tacticismos políticos de que a nossa democracia se tem alimentado nas últimas décadas.

Marcelo diz o que lhe apetece. Faz o que lhe apetece. É do Braga. Vai a pé. Bebe na taberna ou na tasca junto do povo como o mesmo (maior?) à vontade com que pisa os tapetes caros dos palácios do poder. Marcelo já é rico. Ama o país e não precisa de se servir dele, só de o servir.

Marcelo vai condecorar o capitão Salgueiro Maia no dia 1 de junho. Foi o capitão Salgueiro Maia que prendeu o padrinho do seu pai (Marcello Caetano) na queda do antigo regime. Até agora, no pós 25 de abril, a terceira república ainda não se tinha posto de acordo com o que fazer com a memória do capitão. Os capitães voltaram à Assembleia e Marcelo levou um cravo.

Marcelo não tem manias. Nem táticas. Nem politiquices. Tem sentido de Estado. E estratégia. Sabe o que pode fazer como Presidente da República. Para que serve ser presidente da República. E põe todos no seu reboque, no seu encalço. O primeiro ministro também já abre os jardins, e planta flores e tira selfies e vai a Évora fazer as reuniões de quinta feira.

Marcelo aniquilou o protocolo porque sabe que o protocolo foi uma arma dos políticos para se esconderem do povo. E ele, que é das elites, sabe que não precisa de se esconder no regimento para se defender do povo. Sabe que é o povo quem mais ordena. E que ele é o único que o povo escolhe diretamente e por mais tempo (como disse) ou qualquer dos outros órgãos políticos.

Marcelo diz a direito o que nós estamos habituados a ler nas entre linhas. Escreve direito por linhas direitas. A César o que é de César. A Costa o que é de Costa. A Ferro o que é de Ferro.

Marcelo tem sorte, porque a configuração dispersa de deputados, sem maioria absoluta e com novas geometrias de poder, faz dele e lhe confere uma autoridade que nenhum presidente teve até hoje. Mas até nisso Marcelo é um político do futuro porque intuiu que nunca mais nas democracias europeias (a nossa inclusive) voltarão a existir maiorias absolutas.

Marcelo reinventa o presidencialismo. Sabe que o seu poder de convocatória é mais decisivo que qualquer poder de veto. Sabe que a sua magistratura de afetos vale mais que qualquer maioria absoluta. Liberta o povo do espartilho dos partidos e foca-se totalmente no crescimento de Portugal. Onde todos são precisos. E iguais.

Marcelo tem ainda outra qualidade ímpar. Infelizmente pouco própria dos portugueses: não se leva muito a sério, ri-se de si próprio. E sobretudo, diverte-se. Mas afinal o que é que queríamos mais? Vamos lá trabalhar.

Viva o presidente. Viva Marcelo. Viva!

 

Publicado originalmente em Diário de Coimbra