O Web Summit, o Panteão, Madonna e as vacas

Não encontrei a Madonna no Web Summit. Procurei bem, mas não a vi lá. E ela fazia lá falta. O WS é o acontecimento mais importante que hoje existe em Portugal e todos os argumentos são poucos para não o deixar ir embora. Acho que ela e o Marcelo “fechavam” o Paddy.
O Summit são é só Web, é Tudo. É uma mistura de Feira do Livro de Frankfurt com o Campeonato do Mundo de Futebol e a visita do Papa a Fátima. Mas ainda maior. Um evento que não se pode perder e do qual é imbecil dizer mal. Se tivessem ido não andavam para aí a dizer bovinices.
O WS é uma feira de tecnologia, uma fogueira de vaidades, um negócio, uma grande ideia, um palco para Portugal, um palanque para políticos e celebridades e um sítio giro onde 80 mil pessoas, de placa ao peito a dizer “Attendee”, falam de negócios, das suas empresas e de ideias para o futuro. Mas na prática, o WS não é muito diferente do resto das feiras. Há exposição de produtos, debates técnicos, propostas de negócio, vendedores e compradores e público a assistir. Se não tratasse de tecnologia e da internet, era como a Exponoivos ou a Futurália.
Mas há uma diferença fundamental. Enquanto as outras feiras tratam da promoção e da venda de coisas que já existem, a WS trata fundamentalmente de coisas que ainda não foram inventadas. É uma feira de videntes, uma espécie de oráculo para o futuro.
É por causa deste elemento, o desconhecido, que, à volta dos “nerds” e dos “geeks” (como se chama em calão aos engenheiros programadores de software), se juntam figuras mediáticas e populares.
Não existe nada em Portugal com o poder de convocatória do WS. Nem Fernando Santos nem as Forças Armadas. E o WS é também o único acontecimento em Portugal que põe o Chefe de Estado a falar estrangeiro em solo nacional. A bem da nação, diga-se.
O Summit é isso: cabe lá tudo. Modelos, transexuais, políticos, blogueiros, músicos, críticos, homens de negócios e até empresas tecnológicas que são a sua razão de ser. Mas a tecnologia e sobretudo a permanente transformação tecnológica, tornaram-se tão importantes nos nossos dias que ninguém se pode dar ao luxo de lá não ir. Mesmo que jantem no Panteão. Mas o que é que isso importa!
Foi por isto andei à procura da Madonna. Para lhe pedir três coisas: que convencesse o Al Gore a vir morar para cá, o Paddy Cosgrave a não se ir embora no ano que vem e alguns líderes de opinião a não falarem do que não sabem.