Categoria: Ficção

Há um homem que escreve apenas começos. Pequenos textos para grandes romances. Cada história eflui de um ponto conciso, exato em todas as suas geografias narrativas, para se materializar mais à frente; numa novela, numa peça de teatro, numa fotografia, numa dor ou apenas em silêncio.

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Segundo andar esquerdo

Sentiu o coração enrugar-se no tempo em que esperou o milagre. Quando toda a esperança o abandonou deu meia volta e, já de costas para a casa, sentiu o calor diminuído do sol quase posto no rosto.

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Sprookjes

“Sozinho no cais deserto a esta manhã de verão olho para o lado da barra, olho para o indefinido, olho e contenta-me ver”, pensava o Homem de Estanho, contemplando o longe e a distância naquela […]

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Sono

Encosto a cabeça ao sono e peço-lhe que venha já. Ouve-se lá fora o latir metálico de uma máquina indistinta. Gemido longínquo como de uma fábrica antiga que guarda o rumor de um tempo que […]

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Razão Áurea

Fiquei docemente a olhar o coração vermelho a pulsar na linha. Ainda estou. Não te respondi de imediato com todos os corações vermelhos de amor do mundo, como pedia a minha vontade, porque quero que […]

Trabalha como se vivesses para sempre. Ama como se fosses morrer hoje. Séneca

Ai que prazer

Não cumprir um dever,

Ter um livro para ler

E não o fazer!

Ler é maçada,

Estudar é nada.

O sol doira

Sem literatura.

O rio corre, bem ou mal,

Sem edição original.

E a brisa, essa,

De tão naturalmente matinal,

Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.

Estudar é uma coisa em que está indistinta

A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,

Esperar por D. Sebastião,

Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...

Mas o melhor do mundo são as crianças,

Flores, música, o luar, e o sol, que peca

Só quando, em vez de criar, seca.

O mais do que isto

É Jesus Cristo,

Que não sabia nada de finanças

Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa