Cidadãos da mesma língua 

O governo português tomou a semana passada medidas que podemos apelidar de inovadoras e disruptivas para facilitar a imigração de cidadãos da comunidade de língua portuguesa que queiram ir viver para o país Luso.

A criação de um visto de maior duração (180 dias) que permite a entrada legal de emigrantes provenientes dos países de língua Portuguesa em Portugal, com o objetivo de “apenas” procurar de trabalho lá, é um verdadeiro convite para ir morar na terra dos pulas. Isto é muito relevante porque Portugal precisa de gente para inverter o envelhecimento do país e os países de língua portuguesa precisam do mercado europeu para crescer.

Esta medida vem em muito boa hora para os portugueses e é uma boa resposta à operação de propaganda negativa que se gerou numa manhã de filas — propositadas ou expontâneas — que os agentes intervenientes nos assuntos aeroportuários, publico e privados, causaram recentemente em Lisboa.

Porque o que é relevante sublinhar sobre o futuro das relações entre Portugal, o Brasil e os países da língua de Camões, Luandino, Couto e Amado, não são as filas de aeroportos momentâneas, mas sim as políticas de fundo que é necessário implementar. Sabemos que poderão contar com a oposição da União Europeia, mas seria sensato que não fossem as instituições portuguesas a originar uma sempre desnecessária má imagem nacional.

O governo de Lisboa antecipando questões securitárias europeias que estão sendo impostas pela nova realidade política da guerra prolongada na Ucrânia, por um lado; e a necessidade urgente combater o risco demográfico que a nação lusa vive, por outro; são os pontos fulcrais onde se joga o futuro da relação entre Portugal e o Brasil (e os outros países da CPLP).

Portugal precisa da boa imigração e investimento vind@s do Brasil, Angola e dos países de Língua Portuguesa, da mesma forma que o Brasil, Angola e os outros países, precisam de uma porta de entrada para um mercado europeu onde o centro da tomada de decisões de consumo se deslocará progressivamente para o atlântico.

O primeiro ministro dos portugueses sabe disso e vai procura lutar na União Europeia por um regime especial para os cidadãos dos países de língua portuguesa. Ele vai tentar aprovar – ou pelo menos permitir – a criação de uma primeira “cidadania da língua” na história universal.