MULHERES A MAIS

A Camara de Paris foi multada por ter mulheres a mais. 90 mil euros por violar as regras nacionais sobre igualdade de género. 

A presidente Anne Hidalgo deu-se logo como culpada porque 11 mulheres e apenas 5 homens foram nomeados para cargos de gestão na Câmara em 2018. Como 69% de nomeações de um género viola a regra que estabelece a igualdade nos cargos públicos em França — máximo 60 — saiu multa.

A história tem graça e fez rir a presidente que até “gostou” de ser autuada por cumprir “demais” a lei e ser dirigente de um lugar onde as mulheres não são descriminadas em relação aos homens, mas é preciso olhar com cuidado.

Pode até ser que igualdade de género entre as elites seja um problema que Paris já tenha resolvido, mas desculpem-me as diretoras da goleada 11-5, o problema é maior.

 Fui escavar o que acontece na igualdade de género noutras profissões e cargos e não me surpreendi. Nem em França, nem em qualquer outro lugar do mundo, este “exemplo ao contrário” nos pode deixar descansados sobre uma realidade terrível onde as mulheres continuam a ser tratadas desigualmente. 

Instituto Europeu de Igualdade de Género mostra que, na mesma França, as mulheres empregadas na educação, saúde e trabalho social são 34% e apenas 10% são homens; 22% dos homens consegue tirar uma ou duas horas de folga durante o horário de trabalho para cuidar de assuntos pessoais e entre as mulheres apenas 17. 

Mas é na lida da casa e na conta do banco que as multas precisam chegar. Na mesma França enquanto 80% das mulheres vai para a cozinha todos os dias (contra 38% de homens), é na remuneração pelo trabalho que tudo piora — pelo mesmo tempo as mulheres têm 25% menos poder de compra.

Ainda há muita multa por passar.