O geringalho

A troca de “tweets” cómicos com emojis fofinhos e a palavra fascismo entre Rui Rio – Líder do PSD — e o tipo do Chega, tem apenas uma definição: perigo de morte. Visto aqui do Brasil ainda dói mais porque nem Bolsonaro consegue melhor.

A discussão entretanto instalada sobre se a “geringonça” é melhor que o “geringalho” é uma cretinice chapada. Porque faz as pessoas desconfiarem ainda mais dos políticos “tradicionais” e acreditar que os “outros” políticos, mesmo sendo temerários oportunistas, podem ser solução para os seus problemas.

Quando a direita batizou a coligação dos partidos de esquerda de “geringonça” fê-lo respondendo a uma dor particular (do PSD e do CDS). Passos Coelho ganhara as eleições — sem maioria absoluta — quando a esquerda unida, pela voz de Jerónimo, disse —O PS só não é governo se não quiser. E o PS quis.  

Seria inocente pensar que esta inovação política não abria caminho a outras coligações mais ou menos contranatura. A uniões de facto entre gregos e troianos (no estupro de Helena); de persas e visigodos (na devassa de Roma) ou mesmo, caso presente, do PSD com o Chega (no saque a Ponta Delgada). Geringonças têm sempre geringalhos.

A caixa de Pandora é assim, abre-se e já está. Depois a única solução é fechar os olhos e fingir que não dói. Por isso, nem é de estranhar que a má consciência da atual da esquerda-empoderada se junte ao ressentimento da direita-sem-poder, contra uns tais iliberais que ninguém do povo compreende o que são.

O que é preciso perceber não é porque o PS se junta ao Bloco (radical de esquerda) ou agora o PSD ao Chega (radical de direita). O que importa mesmo é que alguém com responsabilidade ajude Rio a não dar cabo da democracia em 3 tweets.