Que se lixe a República!

O Tino de Rãs insistiu na ideia de que se o Presidente for eleito por menos de 50 % dos eleitores se deve “rasgar” a eleição como acontece nos referendos. Ele diz que “até tinha vergonha de tomar posse se não fosse eleito por mais de 50%”. E tem razão para ter.

Não adiar as eleições é uma cobardia. Combinados uns com os outros, à boca pequena, os partidos do sistema preferem escolher o presidente com a menor legitimidade de sempre a adiar as presidenciais para depois do confinamento. Porquê? Porque é conveniente para todos, mas quem vai pagar o pato é a democracia.

Com o medo da sombra próprio das elites de fim de regime, os partidos do sistema preferem uma eleição decorativa que enfrentar mais tarde o elefante que agora Chega à nossa sala. Todos acreditam que quanto mais cedo a eleições se realizarem menos importância terá o partido de Ventura, mas ninguém quer saber do que significa para a democracia e para a República um presidente eleito por uma ínfima minoria.

campanhA confinada é que não serve (chega) para nada!

Nas últimas presidenciais em 2016, Marcelo Rebelo de Sousa foi eleito com uma abstenção de 51,3%, ou seja, menos de metade dos portugueses com capacidade eleitoral não foi votar. Sem pandemias nem confinamentos o presidente de todos os portugueses foi escolhido por pouco menos de 25% de todos eleitores. É fácil acreditar que desta vez, com o medo instalado, o povo fechado em casa e a reeleição de Marcelo praticamente garantida, o número de votantes seja o menor de sempre.

Quando em Novembro foi marcada a data das eleições não era preciso ter uma bola de cristal para saber que a segunda vaga da pandemia ia deixar as presidenciais vazias. Mas ninguém se importou.

Afinal era só reeleição do Marcelo — que se lixe a República!