Terramoto

Só sei fazer isto agora.

Chovem angústias da tua ausência, e eu não consigo convocar-te as más memórias.

Só recordo o sol e o meio dia, o paraíso no teu olhar, as borboletas.

Procuro em ti o que não há?

Rebenta o som. Estremecem as entranhas e a alma cai.

Esgravato, cavo, sangro. Sofregamente afundo as mãos na terra fria.

Desmama-te, grito. Berro por dentro. Suplico. Dá-me o fim da tempestade.

Desopila. Vai. T’arrenego. És tempo que nunca fui, alma que não tive e vida que não vivi.

Está tão escuro o céu quando te vejo. E quase choro.

Quase morro.

Quase voo.