Vacina, para que te quero?

vacina para que te quero

Na vacinação contra o Covid-19 Portugal dá cartas a nível internacional. Melhor que nós, só nas arábias do Abu Dhabi. Somos os reis ocidentais da vacina! Mas mesmo assim falta-nos pica. Afinal de que é este título nos serve?

Hoje o meu filho voltou para Londres, ele mora lá. Há 2 meses deram-lhe a primeira dose da vacina. Depois andou de férias até que chegou a hora de voltar. Antes de apanhar avião em Lisboa foi tomar a segunda dose. Nem marcou. Foi a um centro e entrou. Chegas lá e pronto, disse.  Só o dinheiro dos Emirados Árabes Unidos vacina melhor que o Gouveia e Melo.

Diz o “Our World in Data”, da Universidade de Oxford, que nos EUA, 79% da população já está completamente vacinada e 90% com uma ou mais doses. Lá já há gente que já vai para a terceira.

Logo a seguir vimos nós. 81% tudo vacinado; 87% com pelo menos uma dose. Se gostarem de saber a Islândia completa o top 3. Nas picas anti Covid estamos 21% acima da União Europeia. Este sucesso na vacinação é um indicador que vale a pena analisar com inteligência.

Porque é que Portugal — partilhando as mesmas condições médicas, económicas e logísticas de acesso à vacina — tem resultados muito melhores que os seus colegas da União Europeia?

Como não há respostas científicas, logo aparecem muitas teorias da conspiração. Um senhor Carlos invoca os nossos “brandos costumes”; o doutor Ávila afirma que inequivocamente o nosso povo sempre ordeiro é pouco dado a “negacionismos”; por fim a menina Gonçalves jura a pés juntos que aquele Contra Almirante de barba hirsuta e voz pausada é um Santo de altar e que devia ser elevado a presidente.

Mas a verdadeira razão é bem mais prosaica. Um país como o nosso, que depende do Turismo para o pão da boca, aproveitou muito bem uma oportunidade de melhorar a sua imagem internacional, quando isso dependia apenas de se organizar bem. Estamos de parabéns!